O Cristianismo Bíblico

A doutrina de Jesus Cristo contida na Bíblia

Cinco conceitos para mudar conceitos

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Os crentes em geral, não apenas os cristãos, são constantemente acusados por ateus, agnósticos e incrédulos de serem passivos, ignorantes e alienados. Não posso ignorar que a quantidade de crentes – uso aqui o termo em referência a todos os que creem em Deus, seja de que religião forem – que se encaixam nesse perfil é enorme, mas de modo recíproco não podemos imaginar que todos os ateus são pessoas sem moral, arrogantes e infelizes.

Não posso responder por todos os grupos religiosos do mundo, até porque não me identifico com religiões em geral, mas posso responder com base na Bíblia, que para os cristãos que a seguem, é a ÚNICA fonte da verdade e da pura e sã doutrina de Jesus Cristo. Sendo assim, listo abaixo cinco conceitos bíblicos que provam que nem todo “crente” se enquadra no perfil acima citado.

1) Nossa fé não é cega

Ao contrário do que muitos pensam, a fé bíblica não é uma fé cega em um Deus autoritário. De fato, cremos que Deus é nosso Senhor e tentamos ao máximo acatar suas ordens à risca, entretanto, o próprio Deus espera que façamos sua vontade por amor e convicção, não por imposição.

O escritor da carta aos Hebreus expressa fé como sendo “a confiança nas coisas que se esperam, a convicção naquilo que não se vê” (Hb 11.1). Trocando em miúdos, a fé é, não apenas confiança, mas também convicção. Portanto, a fé bíblica é certeza. Noutro ponto, o apóstolo Paulo é taxativo em dizer que “tudo o que não advém de fé é pecado” (Rm 14.23), querendo dizer, no contexto da passagem, que se alguém segue algum mandamento ou instrução, mas não crê naquilo realmente, está cometendo um erro. Na verdade, ao longo de toda sua carta Aos Romanos, Paulo combate o comportamento meramente religioso de se seguir costumes e tradições em prol de uma fé baseada em certezas e convicções. Portanto, a fé bíblica não é uma fé cega.

2) Deus não faz o nosso trabalho

Os descrentes geralmente julgam que os crentes usam Deus como desculpa para ficarem sentados esperando algo acontecer. Entretanto, a Bíblia nos ensina justamente o contrário: Deus não fará nada por nós que nós mesmos não possamos fazer! O apóstolo Paulo é enfático ao ensinar que “se alguém não quiser trabalhar, também não coma” (2Ts 3.10). Isto complementa o conselho de Salomão: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Ec 9.10). Portanto, o cristianismo bíblico desaprova a indolência e a preguiça.

Quanto às dificuldades próprias da vida, Jesus nos deu a seguinte advertência: “no mundo vocês terão aflições, mas tenham bom ânimo” (Jo 16.33), querendo alertar-nos de que, por sermos seus seguidores, não teríamos uma vida menos laboriosa que a de todos os seres humanos. Interessante notar que a doutrina bíblica não descarta nem mesmo o acaso da vida. O rei Salomão, no prosseguimento do conselho anteriormente citado, escreveu: “não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor; porém tudo depende do tempo e do acaso” (Ec 9.11-12). Conclui-se, então, que a Bíblia desaprova o comportamento de alguns, de ficarem esperando Deus fazer tudo por eles.

Como um adendo, seria interessante citar um ensino muito difundido por pregadores bíblicos, baseado na ressurreição de Lázaro. Jesus se aproxima da tumba e pede aos que estão ao redor: “removam a pedra” (Jo 11.39). Ora, para quem estava a ponto de ressuscitar um morto, o que poderia ser mais fácil que remover uma pedra sozinho? O ensino é: Deus se ocupa do que é impossível; o que é possível Ele deixa a nosso encargo.

3) Não devemos ser alienados

A alienação tem o poder de tornar um indivíduo ignorante, dogmático e, consequentemente manipulável. A religião tem uma tendência natural à alienação, muito embora não seja o único campo de atuação humana que a pratique. Entretanto, de acordo com a doutrina bíblica, a alienação não tem nada a ver com a relação do homem e Deus. Não há, nas Escrituras, nenhum ensino específico que trate do assunto, mas temos dois exemplos claros de crentes que, de alienados, nada tinham.

Diz o livro dos Reis que Salomão, ao ser questionado por Deus sobre o que gostaria de receber dele, pediu sabedoria. A consequência disso foi que “E era a sabedoria de Salomão maior do que a sabedoria de todos os do oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios. (…) E disse três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco. Também falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que nasce na parede; também falou dos animais e das aves, e dos répteis e dos peixes” (1Re 4.30-33). No livro de Eclesiastes ele mesmo afirma que se dedicou a obter toda sorte de conhecimento (Ec 1.13), o que faz dele quase um cientista!

Outro que se destaca é o apóstolo Paulo. Era cidadão romano, versado em outras línguas além da materna e conhecedor das culturas dos povos de sua época. Até a sua conversão a Cristo, Paulo foi um fariseu, o que lhe conferiu a característica de ser um homem bastante culto. O apóstolo nunca pregou contra a busca de conhecimento, embora, por motivos óbvios, tenha dado primazia ao conhecimento de Deus. Em uma de suas cartas ele ensina: “foi para a liberdade que Cristo nos libertou!” (Gl 5.1) e frisa a ideia de que não somos impedidos de nada. Portanto, só é ignorante quem quer.

4) Não somos proibidos de fazer nada

Uma das coisas mais difundidas, até mesmo entre muitos cristãos, é que o Cristianismo é a religião do “não pode”. A lista das restrições pode ser bem grande, dependendo da tradição de cada grupo. Entretanto, o ensino bíblico difere espantosamente desde conceito.

Inicialmente é bom que se diga que temos SIM mandamentos. No passado, para a nação israelita, Deus deu a Lei para que seguissem, porém Jesus revogou essas leis em detrimento de novos mandamentos mais elevados. Mas, mesmo assim, temos mandamentos. A diferença é que, caso não consigamos cumprir algum desses mandamentos, um raio não cairá sobre nossas cabeças, nem seremos apedrejados em praça pública ou queimados numa fogueira.

O apóstolo Paulo, escrevendo à igreja dos Colossenses, os repreende: “por que vocês se submetem a ordenanças, tais como não toquem, não provem, não manuseiem…?” (Cl 2.20). Segundo ele, as proibições não têm efeito real contra o desejo de cometer erros. Consequentemente, de nada adianta viver sob restrições religiosas, o que conta é a certeza de se estar fazendo a coisa certa (a fé citada anteriormente).

Paulo sumariza este tópico com a seguinte declaração (e lembre-se: ele está se dirigindo a cristãos): “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (1Co 6.12). Não somos proibidos de fazer nada, mas somos conscientizados de que nem tudo tem boas consequências.

5) Devemos evoluir em todos os aspectos

Nós, seguidores de Cristo, não cremos que a Evolução represente a verdade sobre a criação, entretanto não ignoramos a necessidade de evoluirmos. Em verdade, a doutrina de Cristo exige de nós uma evolução constante em todos os aspectos de nossa vida. Um bom exemplo é seu mandamento “sejam, pois, perfeitos, como é perfeito o Pai de vocês que está nos Céus” (Mt 5.48). É possível que alguém se empenhe em aperfeiçoar-se e isso não se transforme num processo eterno? Deste modo, a doutrina de Jesus existe para que nos tornemos melhores a cada dia.

Em conclusão a isso, desejo apenas acrescentar que, como já foi dito, estes conceitos se aplicam somente àqueles que têm a Bíblia como referencial. Nem todos os deístas, cristãos, católicos ou protestantes vivem isso e, portanto, estão sujeitos a outros conceitos que acabam por reforçar o julgamento errado que se tem dos cristãos.

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