O Cristianismo Bíblico

A doutrina de Jesus Cristo contida na Bíblia

Jesus e a experiência religiosa

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Para a maioria das pessoas seria bastante estranho dizermos que o Cristianismo não é uma religião. Seria talvez como dizer que o céu não é azul. Inclusive, o Cristianismo é (ainda) a maior religião do mundo e seu ‘fundador’, Jesus de Nazaré, foi, certamente, um dos maiores líderes religiosos de toda a história humana. Ou será que não foi? Será mesmo que a intenção de Jesus foi a de fundar mais uma religião – ou, de repente, fundar uma religião mais verdadeira?

Antes de mais nada, nos convém avaliar o conceito do que é religião. Segundo o dicionário Oxford, a origem desta expressão vem do latin religio, que significa “obrigação,compromisso, reverência”. O Aurélio dá algumas definições para religião: “culto prestado à divindade; doutrina ou crença religiosa; o que é considerado como um dever sagrado”. Na prática, a religião é vista pela maioria como um conjunto de regras e costumes que têm por objetivo permitir ao ser humano ter algum tipo de comunhão com uma divindade. Na verdade, percebe-se por todas as definições acima que a religião em geral tem muito a ver com ações: é preciso realizar algum ato – oração, penitência, caridade, observância de doutrinas, etc – para tornar possível a comunhão com o divino.

Neste sentido, poderíamos claramente identificar o Judaísmo como uma religião no sentido clássico. O Templo de Jerusalém era uma representação clara das dificuldades que as pessoas tinham de sequer adorar a Deus. Havia cinco divisões onde apenas as pessoas certas poderiam entrar, e não sem realizar rituais de purificação e ofertas pelos pecados. De fato, a única pessoa que tinha total acesso a Deus era o Sumo-Sacerdote, e mesmo assim somente uma vez a cada ano. Sendo assim, o conjunto de regras e práticas que os judeus até hoje devem realizar para agradarem ao seu Deus não é tão diferente do que católicos, muçulmanos, hindus e budistas têm.

Jesus de Nazaré nasceu num contexto judaico. Os Evangelhos mostram que ele e sua família seguiam os costumes e práticas de seus antepassados. Entretanto, quando ele começou a pregar por Israel, muitas de suas doutrinas, práticas e ideais destoavam um pouco do judaísmo tradicional. Somente para citar alguns exemplos: a tradição religiosa dos judeus exigia cerimoniais de limpeza e abstinência de alguns alimentos, mas Jesus quebrou esses conceitos quando disse que “não há nada fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar” (Mc 7.15a); os judeus tinham como muito caras as tradições do líderes religiosos, mas Jesus preveniu seus discípulos contra elas (Mt 16.6) e chegou a chamá-las de hipocrisia (Lc 12.1)! A princípio, parece que o objetivo de Jesus não era criar um novo conceito, mas reformar o antigo. Ele não pregava contra as Leis (como queriam acusá-lo), mas defendia uma [tooltip content=”O chamado “Sermão do Monte”, encontrado no Evangelho de Mateus, entre os capítulos 3 e 5, são o exemplo perfeito da visão de Jesus quanto às interpretações correntes da Lei judaica. A combinação “Ouviram o que lhes foi dito (…), eu porém lhes digo” demonstra que Jesus pretendia reinterpretar as tradições judaicas.” url=”” ]nova atitude[/tooltip] diante delas.

No entanto, ao termos uma visão mais ampla de todo o ensino de Jesus, percebemos que ele não apenas estava reformando a fé judaica, mas ousadamente tentando mudar o modo como as coisas aconteciam. Falamos acima sobre o templo de Jerusalém, como ele ilustrava a dificuldade de se chegar a Deus. Jesus estava ensinando que o acesso a Deus estava para sofrer uma mudança radical: não haveria mais templo, não haveria mais a necessidade de sacrifícios ou mesmo a observância estrita de mandamentos. Do ponto de vista meramente humano, Jesus estava destruindo um sistema estabelecido e construindo um outro no lugar. Porém, do ponto de vista espiritual, ele tinha todo o direito de fazê-lo, pois isso seria alcançado pelo derramamento do seu sangue, o qual serviria como oferta de paz entre Deus e os homens.

O que estamos querendo demonstrar aqui é que a mensagem original de Jesus, a sua doutrina preservada na Bíblia, toma um sentido contrário ao da experiência religiosa. E devemos frisar bastante a Bíblia, pois nem sempre o Cristianismo instituído – aquele que é a maior religião do mundo – anda lado a lado com as Escrituras. Esta é uma verdade estranha e triste, mas que deve ser dita: a religião cristã não é, necessariamente, a doutrina de Jesus Cristo. Quando observamos incoerências como Jesus ensinar a dar a outra face e cristãos irlandeses matarem-se uns aos outros este fato se comprova. Em contrapartida, o cristianismo bíblico precisa ser totalmente amparado pela Bíblia, de outra sorte deixa de ser “bíblico”, e se é bíblico, temos a certeza de que é de acordo com a doutrina que os apóstolos nos legaram.

Por sinal, devemos analisar também o que os apóstolos têm a dizer com relação à “religião” cristã. Paulo, especialmente, derruba muitos dos conceitos comumente aceitos pela maioria dos cristãos. Ele prega contra a idéia de que boas obras produzem salvação (Rm 3.28), contra a prática de tradições religiosas banais (Cl 2.16) e a idéia de que o ascetismo serve para alguma coisa (Cl 2.20-23). Também frisa que o verdadeiro cristianismo não consiste de práticas religiosas ou de filosofias, mas do poder do Espírito de Deus na vida daquele que crê (1Co 2.1-5). Neste sentido, a experiência cristã bíblica tem um poder muito maior que a mera experiência religiosa, pois tem o poder de mudar a mente do crente e convertê-lo em uma outra pessoa.

Este último aspecto é a suma de tudo o que temos dito até aqui. Quando alguém crê em Jesus e o confessa como Senhor, o Espírito de Deus vem sobre a pessoa e promove uma transformação interior. A presença do Espírito Santo – que representa a própria presença de Cristo – causa uma mudança de pensamento e atitudes que nenhuma lavagem cerebral poderia, e não apenas isso, mas, potencialmente, o reveste de poder sobrenatural para curar, libertar de opressões malignas, dentre outras coisas. A verdadeira experiência com Jesus Cristo não é meramente filosófica, ou “religiosa”, mas espiritual e, por assim dizer, mística.

Logo no início dissemos que, de modo geral, a religião é tida um conjunto de regras e costumes que têm por objetivo permitir ao ser humano ter algum tipo de comunhão com uma divindade. Jesus e seus apóstolos ensinaram o oposto: não há nada que se possa fazer para se estabelecer uma comunhão com Deus a não ser crer no Messias. Ele é o caminho que conduz a Deus, a única fonte da verdade absoluta e da vida eterna (Jo 14.6). Sendo assim, comprova-se que o cristianismo bíblico não se encaixa no conceito clássico de religião. Se precisarmos, podemos dizer que no cristianismo bíblico, a religião é o próprio Jesus.

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